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IncluiIF: discussões sobre inclusão, diversidade e acessibilidade

  • anamoreira141
  • 9 de out. de 2025
  • 5 min de leitura

 

Na Pró-Reitoria de Extensão (Prex), a Coordenação de Políticas Inclusivas é o setor responsável por integrar ações de inclusão de gênero, raça e diversidade no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília (IFB). A finalidade do órgão é promover iniciativas voltadas à eliminação de discriminações e à plena integração social, educacional, política, econômica e cultural de todas as pessoas, independentemente de raça, idade, classe social, identidade de gênero ou orientação sexual. O trabalho valoriza a identidade étnico-racial e a inclusão da população negra, LGBTQIAP+ e indígena.

 

Nessa quarta-feira (8), ocorreu mais um dia de IncluiIF, evento que há vários anos integra a programação do IFB com discussões sobre inclusão e acessibilidade. Neste ano, o encontro reúne debates sobre gênero, raça, diversidade sexual e inclusão. A seguir, um resumo das atividades do dia.

 

Caminhos para a Inclusão de Estudantes Autistas no IFB: diálogos entre Pesquisa e Prática

 

A palestra  abordou pesquisas dedicadas à inclusão e às formas de avaliação de estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no IFB, destacando desafios, avanços e práticas inspiradoras.

 

O estudo teve o objetivo de compreender como ocorre a inclusão de alunos autistas no IFB Campus Taguatinga e os desafios enfrentados pelo Núcleo de Apoio às Pessoas com Necessidades Específicas (Napne) nesse processo.

Mesmo diante dessas barreiras, Tatiana Lima, uma das palestrantes e autora da pesquisa, observou avanços significativos, como o acolhimento oferecido pelo Napne, o esforço dos docentes e o empenho dos próprios estudantes.

 

Como destacou a professora Gislene, presente na palestra, “não tem como você acolher quando você não entende”, ressaltando a importância da formação e da empatia para uma inclusão efetiva.

 

Tatiana Lima, autora da pesquisa, criou o podcast “TEAr do Espectro na EPT", composto por três episódios que abordam experiências de pessoas do espectro autista no IFB.

Outra pesquisa apresentada investigou as práticas de avaliação de alunos autistas nos cursos de Ensino Médio Integrado (EMI) do IFB.

O estudo apontou que existem políticas de inclusão e planos individuais de ensino (PEI) e que muitos Napnes desempenham um papel acolhedor. Contudo, persistem desafios.

 

Para Ana Paula, tornar as avaliações mais justas e acessíveis é um passo essencial. Como resultado de suas pesquisas, ela produziu o e-book “Vozes Inclusivas", que reúne relatos de estudantes autistas e sugestões de práticas avaliativas mais justas e acessíveis.

 

A professora Gislene complementou: “O aluno TEA tem o direito de ter acesso ao mesmo conteúdo que os outros colegas. A inclusão não pode estar mascarada; ela tem que, de fato, estar acontecendo.”

Segundo ela, o processo de inclusão deve ser visto como um esforço coletivo: “Não é uma busca por culpados, mas uma busca para ajudar.”

 

Diálogos sobre Feminilidades e Masculinidades no Ambiente Acadêmico

 

A palestra começou com questões como: O que é gênero? O que significa ser homem? O que significa ser mulher? O que são masculinidades e feminilidades?

Foi discutido como, em ambientes de trabalho formais, existem expectativas relacionadas a comportamentos, gestualidades, relacionamentos e vestimentas específicas para homens e mulheres.

 

O comportamento considerado ideal para trabalhadores tende a privilegiar características socialmente associadas ao masculino, o que leva pessoas com comportamentos predominantemente femininos a administrar sua feminilidade para se sentirem incluídas.

 

“As mulheres enfrentam barreiras estruturais para ascender hierarquicamente e, quando alcançam posições de poder, são submetidas a uma dupla exigência: por um lado, espera-se que moderem a expressão da feminilidade, incorporando traços associados à masculinidade; por outro, não podem abdicar totalmente da feminilidade, sob pena de serem rotuladas de forma negativa. Assim, o reconhecimento e o respeito que recebem ainda estão ligados a parâmetros simbólicos masculinos”, afirmou a palestrante Ana Luíza.

 

O debate também abordou comparações de gênero no ambiente de trabalho, tratando de comportamento, linguagem, vestimenta, carga mental ligada à cobrança estética, ocupação de cargos de poder e diferenças salariais. Foram discutidos ainda fatores, como menores índices de escolaridade entre mulheres, menor presença no mercado de trabalho, concentração em funções consideradas femininas, naturalização em se pagar menos a mulheres e os diversos papéis culturais de gênero. Além disso, refletiu-se sobre como as mulheres são associadas à fragilidade, moldando comportamentos e formas de se vestir e, muitas vezes, abrindo mão de direitos já garantidos.

 

Foi apresentado um levantamento do IBGE que evidencia a chamada “jornada tripla” das mulheres, dividida entre casa, família e emprego formal, incluindo as pressões por produtividade e maternidade.

 

Ao final, as palestrantes propuseram reflexões sobre mudanças estruturais, questionando: se o gênero é uma forma de significar relações de poder, como reescrever essas relações dentro das universidades e dos locais de trabalho?

 

Vozes Indígenas da Rede Federal de Ensino

 

A palestra do Prof. Diêgo da Silva Oliveira abordou as perspectivas e experiências de estudantes indígenas na Rede Federal de Ensino. Os povos originários têm como característica marcante a oralidade: a disseminação de saberes e a própria cosmologia indígena são transmitidas de geração em geração por meio da fala.

 

No entanto, há um vácuo na legislação quanto à oferta de cursos subsequentes e técnicos voltados a esses povos.

“Existe legislação específica para a educação infantil e fundamental, existe legislação específica para a educação superior, mas não há legislação para os cursos técnicos, que são o norte dos próprios IFs. Existe uma sugestão de construção conjunta com as lideranças indígenas, mas não uma lei que obrigue ou incentive que isso aconteça de fato”, explicou o palestrante Diêgo da Silva Oliveira.

 

A pesquisa apresentada trata das experiências dos povos Wapichana e Macuxi, de Roraima. Um caso de sucesso citado foi o do Instituto Federal de Roraima (IFRR), no Campus Amajari, que desenvolveu um curso técnico em agropecuária voltado para essas comunidades. O curso integra saberes tradicionais, cultura indígena e práticas de manejo originário, combinadas ao conhecimento técnico.

“Isso deveria existir em todos os IFs, com uma construção conjunta, porque um dos acertos dos institutos federais de todo o Brasil é justamente a inclusão socioambiental”, afirmou o palestrante.

 

Diêgo ressaltou que os povos indígenas precisam ter acesso a uma educação profissionalizante de qualidade que os prepare para o mundo do trabalho sem descaracterizar suas tradições.

 

Os indígenas, destacou o mestrando, são os povos originários do Brasil, mas continuam frequentemente invisibilizados. A invisibilidade e a marginalização refletem-se na educação, mesmo após a promulgação da Constituição de 1988, que reconhece seus direitos.

 

Durante o encontro, foram convidados dois estudantes indígenas, um egresso e um matriculado, não apenas do IFB, mas também da UnB, para compartilhar suas experiências no Distrito Federal. Eles relataram como o IFB pode contribuir para ampliar o acesso à educação da Rede Federal aos povos não aldeados, ou seja, indígenas que vivem em áreas urbanas, como Brasília, em contextos diferentes dos encontrados em outras regiões do país.

 

Mais IncluIF

 

No sábado, 11, tem mais atividades previstas. Confira:

 

●      IX Seminário sobre Autismo do MOAB (Movimento Orgulho Autista)

 

●      10h às 12h: Desabafo Autista de Pais Atípicos — os desafios e alegrias do dia a dia

 

●      14h às 15h: Como o cérebro aprende, com Viviani Guimarães

 

●      15h às 16h: Comunicação Aumentativa e Alternativa — Todas as vozes importam, com Gláucia Maria Guerra Araújo

 

●      16h às 17h: Duplo Diagnóstico na T21 — O que (ainda) não estamos vendo, com Giordana Garcia

 

●      17h: Encerramento

 

 

 

Texto: Amanda Lima

 
 
 

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